Sonhei que tentava salvar um pequeno filhote cágado de um risco iminente. Infelizmente, não dependia apenas de mim a árdua missão de protegê-lo. Eu pedia ajuda a várias pessoas, inclusive conhecidos. Todos me ignoravam, e não se importavam com os riscos que eu mencionava. Eu gritava, chorava, ameaçava pedir auxílio de autoridades. Alguns riam de mim. Outros negavam ajuda. Outros mais me desafiavam. Não vi o desfecho da situação, mas o fato é que não consegui tirá-lo das mãos do meu inimigo. Lamentei, e segui meu curso. Comecei a dançar, triste e sozinha.
Enquanto eu dançava, tive a visão de dois crocodilos enormes. Eles me espreitavam, imersos em águas turvas.
O bom é que, para cada vez que sonho com qualquer situação de risco, lá está minha protetora e guia: a onça. Havia duas delas, poderosas, robustas e imponentes.
Isso definitivamente significa algo.
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Também ando sonhando com construções velhas. Com objetos pessoais danificados.
Deus me guarde.
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Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará.
Direi do Senhor: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei.
Porque ele te livrará do laço do passarinheiro, e da peste perniciosa.
Ele te cobrirá com as suas penas, e debaixo das suas asas te confiarás; a sua verdade será o teu escudo e broquel.
Não terás medo do terror de noite nem da seta que voa de dia,.
Nem da peste que anda na escuridão, nem da mortandade que assola ao meio-dia.
Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas não chegará a ti.
Somente com os teus olhos contemplarás, e verás a recompensa dos ímpios.
Porque tu, ó Senhor, és o meu refúgio. No Altíssimo fizeste a tua habitação.
Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda.
Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos.
Eles te sustentarão nas suas mãos, para que não tropeces com o teu pé em pedra.
Pisarás o leão e a cobra; calcarás aos pés o filho do leão e a serpente.
Porquanto tão encarecidamente me amou, também eu o livrarei; pô-lo-ei em retiro alto, porque conheceu o meu nome.
Ele me invocará, e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; dela o retirarei, e o glorificarei.
Fartá-lo-ei com longura de dias, e lhe mostrarei a minha salvação.
Salmos 91:1-16
sábado, 25 de junho de 2016
quinta-feira, 28 de abril de 2016
Vivendo... Aprendendo... Reaprendendo...
Lute apenas por lutar sem pensar em perda ou ganho, em
alegria ou tristeza, em vitória ou em derrota,
pois, agindo desse modo, você nunca pecará. (...) quem segue por esta via de
maneira resoluta possui a mente indivisa. Mas a mente do indeciso segue muitas
direções. (...) O direito que é devido é o de cumprir a missão e não o de
reclamar o resultado da ação. Não considere a si mesmo o objetivo dos seus atos
nem se prenda à inação. (...) abandonando o desejo de
vitória ou de derrota, execute o seu trabalho sem apego ao resultado. Neste
mundo transitório quem não se deixa afetar pelo bem ou pelo mal que poderão
sobrevir, sem louvá-lo ou maldizê-lo, já se encontra situado na consciência
divina. Aquele que for capaz de retirar os sentidos de todos os seus
objetos assim como a tartaruga recolhe os membros no casco, deve ser considerado
um ser auto-realizado.
(Bhagavad Gita)
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“Pois, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”
(Marcos 8:36)
---
Meio difícil associar um livro à outro, mas pra mim faz bastante sentido :)
quarta-feira, 2 de março de 2016
A água, a Onça e a Naja
Estávamos em um lugar secreto e incrivelmente belo. Uma paraíso em meio à mata fechada. Um riacho corria abundante sobre o terreno rochoso e as águas soavam como um mantra natural. Mas embora o cenário fosse estonteante, a atmosfera quente, e estivesse sempre envolvida pelos braços daquele que me ama, estava apreensiva. A noite estava vindo, e tínhamos de preparar abrigo. Aquela mata guardava perigos reais. Eu sabia que ali era o lar de uma onça. Podia ver seu vulto rápido por trás da vegetação. Me identificava com ela. Respeitava e venerava aquele animal majestoso. Como se fizesse parte de mim. Mas também havia uma naja, que espreitava e sibilava em nossa direção. Desta eu tinha medo, mas não me retrai diante de sua presença. Reação tipicamente minha. Permaneci encarando o réptil e ele não nos atacou. O resto do sonho teve um caráter um tanto erótico, e prefiro não escrever sobre.
Analisando este sonho, extrai os elementos mais marcantes para análise:
- A ÁGUA: está associada à essência feminina, às emoções, ao lado yin da natureza humana. À receptividade, sentimento, proteção, segurança, afeto. Curiosamente, sentia que estava segura enquanto estivesse perto do riacho.
- A ONÇA: é um dos animais que mais admiro e me identifico. É também um forte simbolismo para a essência feminina. Embora seja essencialmente solitária, a onça representa os instintos protetores, a força, a maternidade, reprodução e luta por território. Ela faz sua morada em locais próximos a fontes de água (olha só as confirmações do universo kkkk...). É um animal forte e com grande poder de ataque, uma vez que tem limitações anatômicas em relação aos outros felinos. Por isso, ela precisa ser certeira e fatal em seu ataque, uma vez que não consegue perseguir uma presa por muito tempo. Tem hábitos noturnos (outra "coincidência", pois "a noite estava vindo" ).
- A NAJA: cobras em geral são animais estigmatizados em se tratar de sonho. É quase um senso comum afirmar que sonhar com esse animal místico é mau agouro. Desde os primórdios ela é sinônimo de engano, traição e ataques ocultos. Ela pode atacar de perto, mas também pode lançar sua peçonha de longe. No sonho, ela apenas observava esperando o melhor momento para atacar. Segundo os interpretadores, ver uma cobra observando indica que a pessoa que sonha poderá sofrer o ataque inesperado de alguém que não é próximo seu, mas está na iminência de fazer o mal. Normalmente são pessoas que observam nossos declínios e ascensão. De acordo o nosso sucesso, aumentam ainda mais seu ódio. Um outro detalhe é que as najas são animais surdos. O truque dos encantadores consiste em embeber a flauta em urina de rato. Elas são guiadas pelo cheiro e pela vibração. Pode significar que alguém está estudando nossas características e copiando, com a finalidade de levar aquilo que nos pertence de maneira fácil e enganadora.
- A REVELAÇÃO:
Inimigos querem me destruir, mas como uma onça, tenho a majestade, a força e autoridade em meu território.
Ao digitar esse texto, atentei para uma música religiosa que estava tocando no som da loja. Meus ouvidos se abriram exatamente nesse trecho:
"Se ferramenta contra ti foi preparada, fica tranquilo, Deus te livra da cilada."
Livrai-me, oh Deus, dos inimigos ocultos e dos declarados. Livrai-me de minhas próprias fraquezas e não me deixe ter medo. Livrai a mim e aqueles que amo também. Certa de Tua providência. Amém!
Analisando este sonho, extrai os elementos mais marcantes para análise:
- A ÁGUA: está associada à essência feminina, às emoções, ao lado yin da natureza humana. À receptividade, sentimento, proteção, segurança, afeto. Curiosamente, sentia que estava segura enquanto estivesse perto do riacho.
- A ONÇA: é um dos animais que mais admiro e me identifico. É também um forte simbolismo para a essência feminina. Embora seja essencialmente solitária, a onça representa os instintos protetores, a força, a maternidade, reprodução e luta por território. Ela faz sua morada em locais próximos a fontes de água (olha só as confirmações do universo kkkk...). É um animal forte e com grande poder de ataque, uma vez que tem limitações anatômicas em relação aos outros felinos. Por isso, ela precisa ser certeira e fatal em seu ataque, uma vez que não consegue perseguir uma presa por muito tempo. Tem hábitos noturnos (outra "coincidência", pois "a noite estava vindo" ).
- A NAJA: cobras em geral são animais estigmatizados em se tratar de sonho. É quase um senso comum afirmar que sonhar com esse animal místico é mau agouro. Desde os primórdios ela é sinônimo de engano, traição e ataques ocultos. Ela pode atacar de perto, mas também pode lançar sua peçonha de longe. No sonho, ela apenas observava esperando o melhor momento para atacar. Segundo os interpretadores, ver uma cobra observando indica que a pessoa que sonha poderá sofrer o ataque inesperado de alguém que não é próximo seu, mas está na iminência de fazer o mal. Normalmente são pessoas que observam nossos declínios e ascensão. De acordo o nosso sucesso, aumentam ainda mais seu ódio. Um outro detalhe é que as najas são animais surdos. O truque dos encantadores consiste em embeber a flauta em urina de rato. Elas são guiadas pelo cheiro e pela vibração. Pode significar que alguém está estudando nossas características e copiando, com a finalidade de levar aquilo que nos pertence de maneira fácil e enganadora.
- A REVELAÇÃO:
Inimigos querem me destruir, mas como uma onça, tenho a majestade, a força e autoridade em meu território.
Ao digitar esse texto, atentei para uma música religiosa que estava tocando no som da loja. Meus ouvidos se abriram exatamente nesse trecho:
"Se ferramenta contra ti foi preparada, fica tranquilo, Deus te livra da cilada."
Livrai-me, oh Deus, dos inimigos ocultos e dos declarados. Livrai-me de minhas próprias fraquezas e não me deixe ter medo. Livrai a mim e aqueles que amo também. Certa de Tua providência. Amém!
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
Escorpião
Achei essa descrição no site Mistérios Antigos e achei muito "eu". Quase tudo bate :D Engraçado que há alguns anos, quando li pela primeira vez essa descrição, achei que metade das coisas não condiziam com minha personalidade. Acho que eu era um pequeno escorpiãozinho em formação. Agora tô crescendo, ficando mais forte, conhecedora de meus defeitos e atributos.
---
Incapaz de viver muito tempo na calma, apaixonado por
transformações, é ansioso e exigente. Dá tudo de si em situações difíceis. Sente-se
diferente dos outros, tem dificuldade em se integrar, ainda mais porque raramente
está livre de tensão.
Lúcido, espírito penetrante, crítico e perspicaz. Percebe
nos outros o "defeito da couraça".
Não gosta de ser contrariado, nem que indaguem dos seus
motivos. Força situações, perspicaz, sutil, ardente, leal. Ajuda-se, se quiser,
e aos outros. Vingativo, antagônico, sarcástico, violento. Bom julgamento.
Também quer segurança emocional. Tudo ou nada.
Não esquece quem lhe ajuda, nem quem lhe prejudica.
Pode prejudicar a saúde com atividade derrotista,
melancolia, excesso de trabalho ou de qualquer coisa. Poder de recuperação
surpreendente. Garganta, nariz e órgãos reprodutores vulneráveis, varizes e
hemorragias nasais.
Seus desafios são constantes, principalmente nas áreas
financeiras e sexual. Deve aprender a dar, receber e compartilhar recursos e prazeres.
Ambicioso não aparente, espera oportunidade e pega-a imediatamente. Se usar seu
grande potencial pode tornar-se pessoa influente.
Corpo: Energia concentrada na expressão física, inquietação
motora. Atrai acidentes e morte brusca. Propensões auto-destrutivas com grande
poder regenerativo.
Psique: Ação das emoções sobre a base corporal. Inserção
rebelde do ego aos contextos convencionais. Audácia provocativa; caráter
anti-conformista e criativo. Temperamento vital-motor; humor paradoxal.
Pensamento engenhoso, de fluxo intermitente e conteúdo experimental;
concentração dispersiva, memória seletiva. Gostos elaborados, hábitos
inusitados; moral transformadora. Impulsos primários de rebelião criativa.
Tendência à imprudência.
Afetividade: Sensível e erótica. Sensualidade experimental intelectualizada. Paixões ardentes e possessivas; emoções e sentimentos poderosos e imaginativos. Busca do novo e impensado. Amor ciumento, obstinado e rancoroso.
Prevalecem a transmutação, a análise e a decomposição, o
sentimento da finalidade, a ação passional no meio exterior.
Está ligado à ousadia, determinação, perspicácia e
criatividade, mas também ao autoritarismo, angústia, revolta e sadomasoquismo.
Sua missão e seu Dom nesta vida
A Tí, Deus deu uma tarefa muito difícil. Terás a habilidade
de conhecer a mente dos homens, mas não te concedeu a permissão para falar
sobre o que aprenderes. Muitas vezes te sentirás ofendido por aquilo que vês, e em
tua dor te voltarás contra Deus, esquecendo que não é Ele, mas a perversão da
Idéia Divina, o que te faz sofrer. Verás tanto e tanto do homem enquanto animal, e lutarás
tanto com os instintos em Tí mesmo, que perderás o teu caminho; mas quando
finalmente voltares, Deus terá para tí o dom supremo da finalidade.
Referência anatômica: genitais.
Remédio de fundo: calcaria sulfúrica.
Ervas harmonizantes: ginseng, guaraná, manjericão.
Incensos: Almíscar, Ópium e Eucalipto.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
Eloquências da alma
Alternativas que dignificam a existência do homem na terra: entregar-se por inteiro aos instintos ou alcançar a iluminação.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
O chamado da selva
No fim daquela tarde cinza ela ouviu o chamado. Abandonou seu
lar sem se despedir dos que ficaram. Não escreveu sequer uma nota. Lá deixou
tudo que tinha: carro, celular, o extrato de contas a pagar. Deixou para trás sua
caixa de recordações e até a mais íntima veste. Seguiu nua pela rodovia
principal da cidade. Não demorou até que um coro de buzinas explodisse e uma
dezena de carros parasse no acostamento da pista. Ela não parou. Continuou a
caminhar em sua ausência de caminhos, completamente absorta aos flashs e gracejos
despudorados.
Era fêmea feroz. Mais valente que qualquer um daqueles
machos destituídos da alfa essência. Patéticos. Eles se limitavam a empunhar
seus celulares, ao invés de lutar por um possível coito. Suas mãos fragilizadas
pelos hábitos saudáveis da modernidade não eram aptas para tal. Para eles, mais
valia o registro perfeito da nudez feminina que a satisfação do genuíno
instinto. Ao fim daquele episódio, eles voltariam para o aconchego de suas
casas, para suas esposas e famílias. Compartilhariam as gravações em suas redes
sociais diretamente do conforto de seus banheiros assépticos. As nádegas sobre
a porcelana fria dos aparelhos sanitários. Os membros flácidos entre as pernas
desnudas.
Uma senhora religiosa tentou cobri-la com um manto, mas ela rejeitou.
Não desejava aquele tipo de auxílio. Não queria mais se sujeitar aos princípios
de vida em sociedade, seguir padrões de comportamento, aprisionar-se em
vestimentas sob medida, esculpir um corpo desejável, conquistar um bom emprego,
agir de forma conveniente, servir a um deus, construir uma família, pagar
impostos, contribuir para o crescimento de sua nação. Não! Queria viver como os
animais. Sem precisar maquiar os instintos para perpetuar a ilusão humana. Sem chamar
de amor as estratégias da natureza.
Indignara-se sobre como o homem dificultara a própria vida
na terra criando tantas nomenclaturas e padrões de comportamento, quando na
verdade a vida deveria ser simples e natural. Enfurecera-se contra as amarras
invisíveis criadas pelo próprio ser humano.
Cansara da interminável luta por domínio emocional,
territorial e material. De treinar sua mente exausta para conquistar um espaço
na Terra que sempre fora sua. Da obrigação de ter um guarda-roupa repleto de
roupas para várias ocasiões. Para confraternizar-se com o próprio homem, que
por baixo das vestes nada mais é que um agregado de músculos e água. Assim como
ela.
Entendera que o ser humano de nada precisava além do que a
natureza oferece gratuitamente. Os frutos das árvores, a água dos rios, a carne
dos outros animais. Tudo orgânico, de fácil decomposição, transmutável em energia
e adubo. Em contrapartida, o produto do ser humano é intragável pela terra. Ele
abarrota o planeta com o lixo oriundo de suas criações aparentemente
necessárias. Vai a um fast food e sai de lá com duas sacolas. Dentro de uma delas,
um recipiente que comporta a comida, por vezes envolvida em outro saquinho
protetor. Na outra, uma lata contendo qualquer bebida industrializada, canudos
para não tocar a superfície com a boca, e copos para compartilhar o líquido. Lenços
para segurar o alimento nas mãos, guardanapos para limpar os lábios. Ao fim de
tudo, uma sacola para guardar o que sobrar. E o produto inútil oriundo de uma
simples refeição parece deixar de existir ao entrar nas mágicas dimensões de
uma lata de lixo. Mas ele não desaparece. Os homens que fecham os olhos para o
sofrimento do planeta, dos animais racionais e irracionais. Continuam criando
lixo, precificando o que é direito natural de todos, criando padrões de
qualidade que tornam os alimentos cada vez mais caros inacessíveis. Delimitando
territórios cuja área é bem superior ao que de fato, necessitam. Cortando
árvores que abrigam milhares de animais para construir suas confortáveis
residências para famílias de quatro ou cinco membros. Ora... Os mais agressivos
leões conseguem viver e dormir lado a lado. Já o ser humano é tão repulsivo e
hostil que precisa acomodar-se em cômodos separados por paredes.
Racionalizou que, embora os benefícios da ciência pareçam
excelentes ao prolongar a existência do homem, tal avanço era equivocado e nocivo
para todos os ecossistemas. Que o planeta não é capaz de suportar o ritmo de
reprodução humano associado ao aumento da longevidade. Para tal, o ideal é que
tivéssemos a expectativa de vida de um cão. No entanto, vivemos como tartarugas
e nos reproduzimos como coelhos.
Ao perceber aquilo, passou a ver o que era real por trás de
tantas ilusões. Despertara seu animal
interior. Ouvira o chamado da selva. Tudo que parecia necessário e lógico caíra
por terra naquela tarde cinza. E quando a noite veio, ela já era um animal
completo. Não sucumbiria junto aos demais seres humanos. Não sufocaria o eco
selvagem de seu peito. Tornou-se livre. E o único antídoto para aquilo era
morte.
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Obs.: Desculpa, Jack London... Mas o único título que cabe a esse texto é esse.
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Obs.: Desculpa, Jack London... Mas o único título que cabe a esse texto é esse.
sábado, 30 de janeiro de 2016
Peixes
No sonho, eu estava em uma praia muito bonita. De olhos fechados,
sentia as mãos do vento acariciar meu corpo bronzeado. Era gostoso estar ali
sentada na areia, à meia sombra de uma choupana, à meia luz do Sol. Estava
realmente muito agradável, e eu poderia ficar ali para sempre. Até que eu abri
meus olhos e vi ao longe um peixe se debatendo na areia. Imediatamente levantei
e corri para junto do animal, que agonizava em busca de água. Sem receio e
ansiosa para ajudá-lo a voltar ao mar, tentei segurá-lo com as mãos. No
entanto, ele pulou no segundo seguinte. Tentei novamente agarrá-lo, mas ele
sempre pulava de minhas mãos, escorregadio. Comecei a me desesperar, pois
aquela era uma luta contra o tempo, uma luta pela vida daquele animal burro que
negava meu auxílio. Em vão. Acabei por perdê-lo. Não sei se morreu ou se voltou
ao mar. Ele simplesmente sumiu em meio à areia dourada e eu não pude mais
encontrá-lo. Frustrada e cabisbaixa, sai caminhando pela beira mar. A água
cristalina daquela praia era até reconfortante... Caminhei, caminhei, até que
vi uma forma escura e grande dentro da água. Era um bagre enorme, com
aproximadamente um metro de comprimento e "bigodes" compridos. Ele
estava na beira do mar, mas ainda submerso. As ondas não tinham poder sobre o
seu corpo. Ele sequer balançava com as investidas da água. Mantinha-se firme,
com o bater de suas nadadeiras. Ele me encarava, misterioso e eu lhe disse com
os olhos que saísse dali antes que o pescassem. Mal terminei minha intenção de
pensamento, surgiu um preto velho ao meu lado. Ele estava sem camisa, e com uma
bermuda surrada. Sem nada dizer, ele entrou na água, tomou o grande peixe em
seus braços e saiu.
Não posso escrever sobre a revelação deste sonho. Tem coisas que
temo escrever, pronunciar e até pensar. Mas preciso lembrar e me esforçar ainda
mais pelas virtudes do amor incondicional, da humildade, sabedoria e paciência.
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