quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Discurso

Quando afirmas que pretendo ser um indivíduo deveras excelente, na verdade revelas tua opinião mais íntima sobre mim... Destilas em tua boca amarga a admiração secreta que te turva os pensamentos e impede de gozar teus dias. Se soubesses a soma dos minutos que gastei a refletir sobre teu proceder, entenderia que teus pensamentos não são recíprocos. Poupa teu fôlego. Recolhe tua língua. Vive e deixa-me viver.

---

Obs.: Não é pra ninguém específico... É apenas um discurso que eu usaria se tivesse nascido há dois séculos e me importasse com o que alguém pensa de mim kkkk

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Os gigantes e as formigas

Às vezes analogias não passam de figuras de linguagem que utilizamos para consolidar argumentos  falaciosos. Mas às vezes elas são como perfeitos punhais que rasgam o véu de ignorância que cobre nossos olhos. Tenho uma analogia que, além fundamentada, ainda fez-me sentir um irremediável lixo. Ou pior: uma praga, que consome tudo que é vivo e que não tem tantas alternativas razoáveis para sua vil existência. Explicarei enquanto agonizo.

Em minhas andanças em busca de um pedaço de terra para chamar de lar, notei o quão rápido a civilização avançou por espaços antes "desabitados". Há 10 anos, eu morava na saída da cidade. Hoje não posso mais afirmar tal coisa, pois tudo cresceu muito para todas as direções. Onde havia matas, lagoas e outros ecossistemas intocados, agora há uma panificadora, uma academia, condomínios e casas, muitas casas. O que era estrada, agora é via de acesso para muitas moradas.
A impressão que dá é de que tem acontecido um grande progresso, e de que a cidade está crescendo. Muitos até se alegram com isso. Esquecem-se de que os lugares que parecem inabitados é o lar de muitos seres vivos (como nós). Ao avançarmos sobre essas terras, estamos matando e desabrigando pássaros, anfíbios, lagartos, soins, jacarés, capivaras e milhares de outras criaturas. Os que não morrem, migram para terras vizinhas que logo menos serão devastadas por nós, seres humanos, detentores de plenos poderes e donos do mundo.

A formiga ergue verdadeiras civilizações embaixo da terra. O passarinho abriga sua família em aconchegantes ninhos. Mas nós humanos somos como gigantes que sequer atentam para a existência dos outros seres e saímos pisoteando, derrubando, queimando e construindo sobre os lares dos outros seres. Como se tudo no planeta existisse em nossa função.

Às vezes imagino como seria se outros seres gigantes surgissem na terra e, para eles, nós fôssemos pequenos como formigas. Eles viriam com seus pés gigantes e pisariam nossas casas e famílias como se não existíssemos ou fossemos insignificantes demais para desviarem seu caminho. Eles nos desapropriariam e construiriam suas casas sobre as nossas como se tivéssemos menos direito de existir que eles.

Também imagino como seria se o governo simplesmente nos mandasse embora de "nossas terras" ou matasse quem resistisse em ficar. De certo haveria um grande reboliço no mundo. Porque sabemos falar. Porque sabemos criar e manusear armas. Mas se fossem gigantes, definitivamente não teríamos alternativas a não ser fugir até que a morte nos encontrasse. Nossos gritos de formiga não seriam ouvidos. Os titãs prevaleceriam. Ergueriam seus lares felizes sobre nosso sangue sem remorso algum. E a mídia titânica publicaria fotografias de suas famílias sorridentes e incentivaria outros gigantes a comprar mais terras que, na verdade, nunca pertenceram a alguém, mas sim a todos.
Não tem jeito. O mundo vai acabar. E nós humanos sofreremos por último. Só não sei se quem sofre por último, sofre mais.


---

Sim, estou numa fase ativista e existencial.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Patético circo humano

A grama do jardim continua a crescer num ritmo invariavelmente rápido. As ervas daninhas insistem em brotar dos mais inóspitos orifícios. Enroscam-se, invadem. Como arabescos sem fim... A folhagem seca se precipita para dar lugar à nova fronde. A mim, resta observar da janela a desordem instaurada em meu quintal. Não posso interferir em tal ciclo. Que faria eu? Decretaria o fim da revolução natural? Deceparia os braços das árvores por tamanha anarquia? Asfixiaria a pobre grama sob duas ou mais camadas de concreto? Longe de mim! Seria mais fácil lidar com o pulsar de um coração delator escondido no assoalho que manter a Natureza refém em minhas terras. “Minhas terras”...

Debruço-me na janela, e inicio a minha mais corriqueira reflexão sobre a retrospectiva do ser humano na Terra. Sobre como viemos a existir ocasionalmente, e desde este fatídico momento, procriamos sem cessar. Nossa prole tornou-se incontável como as estrelas do céu... Como a areia do mar... Dominamos o fogo e criamos diversos outros instrumentos para subjugar o mundo. Como verdadeiros parasitas, seguimos esgotando todos os recursos ao nosso alcance. Delimitamos espaços com muros e fronteiras invisíveis. Propriedades, cidades, estados, países... Ferimos a selva e criamos estradas, como cupins e outras pragas fazem nas árvores até que apodreçam por completo. Povoamos a terra como um câncer se instala num organismo vivo. Nossas civilizações continuam se expandindo como uma metástase agressiva e fatal. A Terra vai ficando mais doente a cada dia, e às vezes eu choro por isso. Culpo a mim e meus semelhantes, embora saiba que muitos parasitas não tenham ciência de sua verdadeira condição.

Grito em silêncio, pois é crime incomodar os vizinhos. Agonizo, sem saber o que fazer ou a quem recorrer. Estamos todos no mesmo barco. Meus pais me domesticaram bem cedo, quando eu ainda era um filhotinho vulnerável e dependente. Ensinaram-me dezenas de regras de comportamento e assepsia. Proibiram-me de subir em árvores e fazer muitas coisas que os outros animais fazem. Disseram-me que eu era onívora, e que isso era natural do ser humano. Além disso, eu teria de lavar as mãos antes de comer. Perguntavam-me a todo tempo o que eu queria ser quando crescesse. Aparentemente eu não seria nada, até desempenhar uma função social. Então me matricularam em uma escola para auxiliar em meu processo de adestramento. Lá aprendi de tudo um pouco para que, ao longo de 18 anos eu descobrisse como poderia servir melhor a sociedade. No processo, ensinaram-me diversas operações aritméticas que ainda não tive oportunidade de usar. Decorei a fórmula de Bhaskara, o valor do Pi e uma infinidade de conceitos que, segundo os professores, eram de extrema importância. Infelizmente, não me ensinaram a criar um abrigo para me proteger do sol e da chuva. Não me deram qualquer instrução sobre como sobreviver na ausência dos recursos e artefatos humanos. Suspeito que haja uma grande conspiração da qual não posso me desvencilhar. Grito em silêncio. E simplesmente continuo a existir.

Desconfio que tudo que parece necessário, não passa de engodo e simulacro de satisfação. A mídia nos enfia goela abaixo que não basta sobreviver neste mundo. Ora! Além de ter nossas necessidades genuínas atendidas, é preciso ter uma sensação perene de bem estar e aconchego. Para suprir tal demanda, existe o complexo mercado e seus mil nichos para assistir cada particularidade humana. Por mais fútil que seja.  Porque não basta comer uma galinha ou um boi. É também preciso comer ovas do mais exótico peixe, que nada nas mais profundas águas do fim do mundo. Não basta que tenhamos unhas eficientes. Elas precisam ter cores diferentes pelo menos duas vezes ao mês. Porque simplesmente não basta termos corpos sadios. É preciso que eles tenham medidas que foram padronizadas por um desconhecido. É proibido ter cutículas, celulites, seios flácidos, estrias, cabelos brancos, joanetes, marcas de expressão, pelos no nariz e outras mil coisas que são naturais do ser humano. Temos que lutar pelo que não temos e contra o que temos. Tornamos-nos escravos miseráveis de tendências que só existem porque as aceitamos. E é patético como nos esforçamos para nos tornarmos engrenagens perfeitas de um sistema decadente, que mal se sustenta. É desesperador de tal forma que até as religiões falharam em tentar combater essas inquietações. O que resta é um profundo mal estar no interior de cada ser humano.

O homem conceituou como caos tudo aquilo que, em sua limitada percepção, encontra-se fora de ordem ou alheio ao seu controle. Mas desde o princípio o caos é mais irrefutável lei natural que rege o universo. Todos estamos sujeitos a essa lei. Mas preferimos resistir, ansiosos e infelizes. Maquiando o mundo, delimitando espaços, cortando a grama do jardim, aparando os pelos do corpo e aniquilando os insetos que invadem nossos castelos de ilusão. 

sábado, 5 de novembro de 2016

Revelações - Psilocybe Cubensis Ecuador

Reencontrei minha profunda essência, minha deusa interior. Comi da carne que nunca falha. Os sagrados cogumelos me mostraram o que precisava ser visto. E quando fechei meus olhos, tudo pude ver.

- Meu interior tinha a cor de tangerina. E sobre aquele impenetrável e sólido plano laranja se formavam mandalas e hieróglifos aparentemente egípcios. Não pude traduzi-los. Não possuo instrução para fazê-lo. Mas pude discernir em termos práticos o que a cor avermelhada deles significava para mim. O laranja, de certo representava minha vitalidade, energia telúrica e pureza espiritual. O vermelho, por sua vez, mostrou que há um emaranhado de confusão, impulsividade e ignorância, com o qual não tenho sabido lidar. Essa revelação me pareceu boa, pois é a confirmação de minhas auto-análises. É um alerta para que eu lute contra o que me corrompe;
- Vi preto, mas não em mim. Um terrível plano de fundo cinza cortado por raios negros. Prefiro não falar sobre isso;
- Mostraram-me um ser de língua falsa, que destila veneno e peçonha.
- Disseram-me que eu tinha lindos cabelos negros. Não era correto nem justo me maldizer.

Sinto-me grata pela carne que nunca falha.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Ensinamentos de Don Juan Matus

"Nunca me zango! Nenhum ser humano pode fazer alguma coisa tão importante que mereça isso. A gente se zanga com as pessoas quando acha que seus atos são importantes. Não sinto mais isso."

---

"Você deve sempre manter em mente que um caminho não é mais do que um caminho; se achar que não deve segui-lo, não deve permanecer nele sob nenhuma circunstância. Para ter uma clareza dessas, é preciso levar uma vida disciplinada. Só então você saberá que qualquer caminho não passa de um caminho, e não há afronta, para si nem para os outros, em largá-lo se é isso o que seu coração lhe manda fazer. Mas sua decisão de continuar no caminho ou largá-lo deve ser isenta de medo e de ambição. Eu lhe aviso. Olhe bem para cada caminho, e com propósito. Experimente-o tantas vezes quanto achar necessário. Depois, pergunte-se, e só a si, uma coisa. Essa pergunta é uma que só os muito velhos fazem. Meu benfeitor certa vez me contou a respeito, quando eu era jovem, e meu sangue era forte demais para poder entendê-la. Agora eu a entendo. Dir-lhe-ei qual é: “esse caminho tem coração?” Todos os caminhos são os mesmos: não conduzem a lugar algum. São caminhos que atravessam o mato, ou que entram no mato. Em minha vida posso dizer que já passei por caminhos compridos, mas não estou em lugar algum. A pergunta de meu benfeitor agora tem um significado. Esse caminho tem um coração? Se tiver, o caminho é bom; se não tiver, não presta. Ambos os caminhos não conduzem a parte alguma; mas um tem coração e o outro não. Um torna a viagem alegre; enquanto você o seguir, será um com ele. O outro o fará maldizer sua vida. Um o torna forte; o outro o enfraquece."

---

"E assim ele se deparou com o primeiro de seus inimigos naturais: o Medo! Um inimigo terrível, traiçoeiro, e difícil de vencer. Permanece oculto em todas as voltas do caminho, rondando, à espreita. E se o homem, apavorado com sua presença, foge, seu inimigo terá posto um fim à sua busca.
- O que acontece com o homem se ele fugir com medo?
- Nada lhe acontece, a não ser que nunca aprenderá. Nunca se tornará um homem de
conhecimento. Talvez se torne um tirano, ou um pobre homem apavorado e inofensivo; de
qualquer forma, será um homem vencido. Seu primeiro inimigo terá posto um fim a seus desejos.
- E o que pode ele fazer para vencer o medo?
- A resposta é muito simples. Não deve fugir. Deve desafiar o medo, e, a despeito dele, deve dar o passo seguinte na aprendizagem, e o seguinte, e o seguinte. Deve ter medo, e no entanto não deve parar. É esta a regra! E o momento chegará em que seu primeiro inimigo recua. O homem começa a se sentir seguro de si. Seu propósito torna-se mais forte.
(...)
- Isso acontece de uma vez, Dom Juan, ou aos poucos?
- Acontece aos poucos e no entanto o medo é vencido da repente e depressa.
- Mas o homem não terá medo outra vez, se lhe acontecer alguma coisa nova?
- Não. Uma vez que o homem venceu o medo, fica livre dele o resto da vida, porque em vez do medo ele adquiriu a clareza de espírito que apaga o medo. Então, o homem já conhece seus desejos; sabe como satisfazê-los. Pode antecipar os novos passos na aprendizagem e uma clareza viva cerca tudo. O homem sente que nada se lhe oculta.
E assim ele encontra seu segundo inimigo: a Clareza! Essa clareza de espírito, que é tão difícil de obter, elimina o medo, mas também cega. Obriga o homem a nunca duvidar de si. Dá-lhe a segurança de que ele pode fazer o que bem entender, pois ele vê tudo claramente. E ele é corajoso porque é claro e não pára diante de nada porque é claro. Mas tudo isso é um engano; é como uma coisa incompleta. Se o homem sucumbir a esse poder de faz-de-conta, sucumbiu a seu segundo inimigo e tateará com a aprendizagem.Vai precipitar-se quando devia ser paciente, ou vai ser paciente quando
devia precipitar-se. E tateará com a aprendizagem até acabar incapaz de aprender mais qualquer coisa.
- O que acontece com um homem que é derrotado assim, Dom Juan? Ele morre por isso?
- Não, não morre. Seu inimigo acaba de impedi-lo de se tornar um homem de conhecimento; em vez disso, o homem pode tornar-se um guerreiro valente, ou um palhaço. No entanto, a clareza, pela qual ele pagou tão caro, nunca mais se transformará de novo em trevas ou medo. Será claro enquanto viver, mas não aprenderá nem desejará nada.
- Mas o que tem de fazer para não ser vencido?
- Tem de fazer o que fez com o medo: tem de desafiar sua clareza e usá-la só para ver, e esperar com paciência e medir com cuidado antes de dar novos passos; deve pensar, acima de tudo, que sua clareza é quase um erro. E virá um momento em que ele compreenderá que sua clareza era apenas um ponto diante de sua vista. E assim ele terá vencido seu segundo inimigo, e estará numa posição em que nada mais poderá prejudicá-lo. Isso não será um engano. Não será um ponto diante da vista. Será o verdadeiro poder."

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Vassala Sananda e o Mundo Invertido

Era um lugar muito escuro. E como era escuro aquele lugar. Era como a realidade invertida de um antigo prédio comercial que visitei em outros tempos. A versão fantasmagórica de todo o cenário retratada em cores mortas. Um mundo alternativo erguido em meio à ferrugem, lodo e decomposição. Quando estive ali, as trepadeiras eram verdes, eu lembro. Dois crocodilos moravam no átrio externo, e duas onças também. Mas tudo estava diferente... Não havia qualquer animal, ou trepadeira. A sombra da morte encobriu aquele lugar e fez dele sua morada.

O antigo edifício sucumbia qual um gigante morfético, irreversivelmente tomado pela noite perniciosa. Ali dentro o coração da treva pulsava e irradiava pavor pelos corredores, que eram como o sistema venoso de um grande organismo maligno. A escuridão exalava seu hálito frio de brumas e miasmas, enevoando toda a atmosfera. Ao meu lado, dezenas de vultos humanos vagavam sem destino ou entendimento, esbarrando uns nos outros. Nada mais eram que figuras indistintas... Silhuetas irreconhecíveis na penumbra... Almas enfraquecidas, drenadas, prestes a expirar naquela imitação do Hades mitológico.

Eu caminhava entre espectros com uma infinda sensação de risco. O medo era o único combustível que mantinha acesa em mim a fagulha de minha existência. Noutra ocasião eu me encolheria em um canto com os olhos fechados, a espera de socorro ou de uma morte menos fatídica. Entretanto, meu corpo buscava a saída daquele lugar como um afogado procura pela superfície das águas que o cobrem... Como um enforcado busca fôlego urgente... Num espasmo involuntário de ímpeto. Num reflexo incontrolável de ante mover...

Meus seis sentidos alertavam cada célula do meu corpo para o perigo que ali habitava. E minha intuição estava certa!!! No claustrofóbico labirinto de corredores, havia uma terrível e mortal criatura. Ao buscar uma saída, deparei-me com ela. Assemelhava-se ao Monstro do Pântano, pois seu corpo parecia uma fusão imprecisa de lama e vegetação. Era bípede, e mesmo com sua postura curvada media quase três metros de altura. Apesar da inconsistência de sua forma física, era possível distinguir suas garras longas e pontiagudas, capazes de estraçalhar um tronco humano num só golpe. Embora não pudesse ver sua face, tinha certeza que sua mandíbula era igualmente fatal, pois seus grunhidos eram aterradores e ecoavam por todos os cantos.  Seu passo era lento e arrastado, mas todos os caminhos levavam ao Monstro sentinela. Era como se fosse onipresente.

Que lugar amaldiçoado era aquele?! O que eu fiz para merecer tal destino?! Perguntava-me a todo o momento se havia morrido e ido direto para as dimensões infernais. Corri até a completa exaustão. Meus pulmões estavam prestes a explodir e minhas pernas falharam. Tombei de joelhos a hiperventilar. Quando me vi a beira de um ataque de pânico, um vulto sussurrou em meu ouvido como uma brisa evanescente: “Quando vir a criatura, invoque Vassala Sananda aos quatro cantos da Terra”. Não entendi o significado daquelas palavras, e elas engasgaram em minha boca desidratada. Mas bastou-me ver o Monstro para levantar-me com urgência e proferir o encantamento quatro vezes, uma para cada ponto cardeal. Funcionou. O ser assombroso se foi de imediato.

Levantei-me e segui meu caminho a invocar Vassala Sananda sempre que o Monstro aparecia. De início isso me trouxe imensurável alívio. No entanto, acabei por descobrir que dali não havia saída. E que a mim estava reservado o mesmo fim que aqueles espectros: vagar na obscuridade para todo o sempre, clamando pelo nome de um ser que nunca conheci face a face. Isso me amargurou. Mas com o tempo percebi que no antigo mundo ao qual um dia pertenci não era tão diferente. Eu já estava acostumada a caminhar entre monstros. E também a afastá-los com minhas orações. 

---

O louco disso tudo é que ouvi esse nome "Sananda" em um sonho, e ao pesquisar sobre ele descobri que era a denominação de um "novo cristo" extraterrestre que possui alguns seguidores ao redor do mundo. Acho que estão tentando me recrutar para a gênese da Nova Era kkkk...

---

Sim. Esse conto é uma alusão bem evidente a StrangerThings. Não pude evitar.

sábado, 25 de junho de 2016

Bichos e mais bichos

Sonhei que tentava salvar um pequeno filhote cágado de um risco iminente. Infelizmente, não dependia apenas de mim a árdua missão de protegê-lo. Eu pedia ajuda a várias pessoas, inclusive conhecidos. Todos me ignoravam, e não se importavam com os riscos que eu mencionava. Eu gritava, chorava, ameaçava pedir auxílio de autoridades. Alguns riam de mim. Outros negavam ajuda. Outros mais me desafiavam. Não vi o desfecho da situação, mas o fato é que não consegui tirá-lo das mãos do meu inimigo. Lamentei, e segui meu curso. Comecei a dançar, triste e sozinha.
Enquanto eu dançava, tive a visão de dois crocodilos enormes. Eles me espreitavam, imersos em águas turvas.
O bom é que, para cada vez que sonho com qualquer situação de risco, lá está minha protetora e guia: a onça. Havia duas delas, poderosas, robustas e imponentes.
Isso definitivamente significa algo.

---

Também ando sonhando com construções velhas. Com objetos pessoais danificados.
Deus me guarde.

---

Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará.
Direi do Senhor: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei.
Porque ele te livrará do laço do passarinheiro, e da peste perniciosa.
Ele te cobrirá com as suas penas, e debaixo das suas asas te confiarás; a sua verdade será o teu escudo e broquel.
Não terás medo do terror de noite nem da seta que voa de dia,.
Nem da peste que anda na escuridão, nem da mortandade que assola ao meio-dia.
Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas não chegará a ti.
Somente com os teus olhos contemplarás, e verás a recompensa dos ímpios.
Porque tu, ó Senhor, és o meu refúgio. No Altíssimo fizeste a tua habitação.
Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda.
Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos.
Eles te sustentarão nas suas mãos, para que não tropeces com o teu pé em pedra.
Pisarás o leão e a cobra; calcarás aos pés o filho do leão e a serpente.
Porquanto tão encarecidamente me amou, também eu o livrarei; pô-lo-ei em retiro alto, porque conheceu o meu nome.
Ele me invocará, e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; dela o retirarei, e o glorificarei.
Fartá-lo-ei com longura de dias, e lhe mostrarei a minha salvação.

Salmos 91:1-16

ETERNA MÁGOA – poema de Augusto dos Anjos

O homem por sobre quem caiu a praga Da tristeza do mundo, o homem que é triste Para todos os séculos existe E nunca mais o seu pesar se a...